Setembro, a moda e aquilo que aprendi em 44 anos trabalhando com o couro
A chegada de setembro sempre me faz pensar em transições.
É uma época em que as pessoas começam a olhar para novas possibilidades, novas combinações e novas formas de se vestir. E, quando observo as tendências da moda, uma coisa continua me chamando a atenção: depois de 44 anos trabalhando com o couro, posso dizer que ele nunca deixou de ter o seu espaço.
A moda muda. As cores mudam. Os cortes se transformam. Algumas peças desaparecem por um tempo e depois retornam com uma nova interpretação. Mas o couro continua presente.
Ao longo dessas mais de quatro décadas de trabalho, vi o couro ser utilizado de muitas maneiras. Vi surgirem novos estilos, novas técnicas e novas tendências. Mas também aprendi que o verdadeiro valor de uma peça de couro vai muito além da moda do momento.
Uma jaqueta, um blazer, uma saia ou mesmo um pequeno acessório podem assumir diferentes personalidades dependendo da forma como são usados. Uma peça de couro pode acompanhar um visual casual durante o dia e, com outra combinação, tornar-se parte de uma produção elegante e sofisticada.
A clássica jaqueta é um bom exemplo disso. Ela pode trazer personalidade a uma combinação simples de jeans e camiseta, mas também pode criar um contraste interessante quando usada com peças mais leves e delicadas.
Os blazers e as saias de couro seguem o mesmo caminho. São peças que permitem inúmeras combinações e mostram como esse material consegue transitar entre diferentes estilos.
Hoje, vemos novamente uma valorização das combinações hi-lo, misturando peças sofisticadas com elementos casuais. Também ganham espaço os visuais monocromáticos em preto, marrom, caramelo e outros tons terrosos.
E, sinceramente, depois de tantos anos observando e trabalhando com o couro, acredito que essa versatilidade seja uma das razões pelas quais ele continua atual.
O couro tem presença. Tem textura. Tem personalidade.
Mas, para mim, existe algo ainda mais importante: ele carrega história.
Durante 44 anos, tive o privilégio de transformar esse material em inúmeros produtos. Cada peça que sai da bancada começa como uma matéria-prima e, através das mãos, das ferramentas, da experiência e do cuidado, ganha uma nova identidade.
É por isso que, quando vejo o couro novamente em destaque na moda, não penso apenas em tendências.
Penso em tudo aquilo que ele representa.
Penso na durabilidade de uma peça bem-feita. Penso no tempo necessário para aprender a trabalhar corretamente com cada tipo de couro. Penso nos erros, nos acertos e nas experiências acumuladas ao longo de mais de quatro décadas.
E penso, principalmente, que o couro continua nos ensinando uma lição importante: aquilo que é feito com qualidade não precisa sair de moda.
Setembro chega trazendo novas inspirações, novas combinações e novas tendências. Mas, para mim, depois de 44 anos de bancada, ele também reforça uma certeza que carrego comigo há muito tempo:
O couro nunca sai de moda. Ele apenas encontra novas maneiras de contar a sua história.


